segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Mea Culpa*


                                 
Imagem daqui.

                                   Todos os versos que ousei escrever para ti,
                                    nas nuvens da minha ingenuidade dissiparam!
   
                                    Todas as flores que colhi para ti,
                                    vítimas precoces da minha inércia secaram!

                                    Tudo o que eu deveria exibir de ti, 
                                    dentro de mim sepultei! 

                                    Todo o segredo que eu deveria guardar para mim,
                                    à rosa dos ventos alardeei!

                                    Todos os castelos que para ti construí,
                                    com fortes sopros da minha insanidade demoli!

                                    Todos os sonhos sonhados por ti,
                                    a golpes de desalento destruí!

                                    Toda a sede de amor que por ti conservei,
                                    em intensos goles de desengano sufoquei!

                                    Todas as juras de amor que a ti confessei,
                                    com aguçado punhal do deboche exterminei!

           * Tem dias que a gente se sente com vontade de  escrever coisas assim. Noutros dias, com vontade de escrever coisas que não cabem neste blogue, mas, cabem perfeitamente no blogue AUSENTE DO CÉU,  da minha querida amiga Céu. Espero que meus queridos amigos deem uma chegadinha lá! Obrigado!

             "Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos. 
                Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres". Clarice Lispector.

9 comentários:

  1. Meu querido,

    "Mea culpa", "não" sei o que significa, mas decerto que a expressão não cabe nesse teu poema maravilhoso, distinto, desejoso e ardente.

    Bem sei eu, que seu blog está direcionado para a Família, a Pátria e a LIBERDADE, mas então esse último vocábulo abrange tudo aquilo que seja bonito, sem grades, intenso, um pouco destemido até e portanto a proibição não pode fazer parte do seu espaço e, por vezes, sinto que ela faz.

    É PROIBIDO PROIBIR, alguém disse, e todos nós mesmo sabendo que poderemos correr alguns riscos, continuamos a desejar a tal Liberdade. Liberdade é do género feminino, então ela é "Mulher" e difícil se torna para um homem dizer não a uma mulher, não a seguir, não a amar, não interessa por quanto tempo e com ela não se deliciar, livremente. Consequências? Elas aparecem sempre, mas nós queremos viver, senão viramos "coisas" amorfas, sem vontade própria, quase sem vida, enfim, seres hibernados. O que acabei de escrever, não faz apelo à prostituição, bem, pelo contrário e isso que fique bem assente nas mentes.

    Não peças desculpa, por tudo aquilo que deste e que, por diversos motivos, causas, "loucura", um dia atiraste para o alto. Nós somos assim, não somos seres perfeitos, e se fôssemos, esse lugar, que habitamos perderia a graça, que ele tem, apesar de tudo.

    Tem dias, que a gente precisa tirar a máscara e romper barreiras, nomeadamente, aquelas que existem em nossa casa. Ah, "paredes" e "telhado", por que existem?
    Outros, vivemos engolindo o fel amargo e até pensam que nós estamos "caducos" e que desejamos um "brinquedo", que já não é para a nossa idade. Todos podemos e devemos "brincar" com todos os brinquedos, porque afinal, nós somos eternas crianças e criança não vê maldade em nada.

    Me faz uma jura, HOJE! Me jura que apesar dos "pesares", tu vais dizer o que sentes pra ti e para os outros, incluindo a família, de quem até podes precisar. Todos precisamos uns dos outros, não esqueças, não esqueçam! Um dia, a "pirâmide" se pode inverter. E depois? Como atuar? O que fazer? Como "julgar"?

    O que te dizer, Vitor, querido? Sabes que no meu blog cabe todo o tipo de texto, correto, no sentido lato do termo, e esse teu poema se encaixa lá muito bem, todavia, o colocarei também em meu coração como prova de muito afeto, cumplicidade e de muita liberdade. As aurículas e os ventrículos irão adorar, e quando na grande e pequena circulação, o sangue se misturar, ah, como o arterial irá predominar e sugar o outro. Venoso, "nem tu, nem eu", possuímos. Quero te dar oxigénio de "amor" e quero também receber, para que os nossos corações batam ao mesmo tempo e no mesmo ritmo.


    A ROSA

    Guardo na boca rubra
    a rosa vermelha
    delirante de vida
    paixão e liberdade.

    Seguro uma ponta
    na outra
    está a tua boca
    que, carnuda, me atiça.

    Não precisas falar
    não precisas caminhar
    eu irei ao teu encontro.

    CÉU

    Grata, muito grata pelo teu carinho, pelo teu "amor" e por chamares o meu blog ao teu domínio, escrito. ESTAMOS JUNTOS! VAMOS!

    Beijos e um abraço longo, vasto e farto.

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    Respostas
    1. Oi, Céu!
      Fazer versos como você faz, quem me dera, amiga!
      Houve um tempo em minha vida em que fiz muitos poemas de amor.
      Naqueles dias havia dentro de mim, um jovem apaixonado!
      Hoje, muitas lembranças e uma vontade imensa de me apaixonar de novo!
      Beijos, amiga!

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  2. Culpa nunca k.
    Talvez vergonha. E quem não fez nada de estranho k, que atire
    a primeira pedra k.
    Em se tratando de amor: somos todos bobos ou loucos.
    Boa continuação de semana.

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  3. Hola Vitorio, yo no soy demasiado romántica, pero el poema es precioso. Un abrazo.

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  4. Toda a gente comete erros...
    Mas nem todos conseguem fazer poesia boa como esta.
    Parabéns, gostei imenso.
    Bom fim de semana, caro amigo.
    Um abraço.

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  5. Oi Victor! Saiu-se muito bem com o poema, a melhor maneira de expressão que existe!
    A vida é assim, amores vem e vão, se modificam, se transformam e também morrem, mas não deixam de ter sido amor.
    Tem um trecho da música My Way do Sinatra que diz: O que é o homem, o quê ele possui se não possui a si mesmo?
    Saber reconhecer que o tempo do amor (nosso ou do outro) acabou, é sabedoria, é liberdade. Somos donos do nosso amor e não do outro.
    Abraço

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  6. Passei para ver as novidades.
    Mas gostei de reler este magnífico poema.
    Continuação de boa semana, Caro Vitorio.
    Abraço.

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  7. Bravo, Vitório!!
    Não conhecia essa sua faceta de poeta!! Estou admirada!! :) Vou lá no blogue da Céu!!
    Beijus no coração!!

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  8. Os comentários por lá foram fechados! :( Surpreendi-me mais ainda!! De bravo passo para bravíssimo!!
    :)
    Boa semana!!

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