quarta-feira, 18 de abril de 2018

* "Desvios e Atalhos".






   Desde que o trem da minha vida deixou a plataforma que ao longe, ocultou-se na neblina,
   tento em vão, ouvir os sons de bolinhas de gude* e correrias de pipas!
   Ouço tropas e hinos que se misturam sem cadência, sem direção.
   Há ameaças a impor desvios e atalhos!

    Inútil  tentar  voar para fora dos paralelos sinuosos e frios.
   Árvores, postes e o vento embaralham as imagens girando em círculos.
   O ritmo cambaleante ignora a gravidade e impõe a cadência dos passos.
   O acalanto dos balanços, agora ferem profundo e perturbam a alma!

    Há um chão se aproximando apressado demais!
    Há um horizonte cego que sufoca a deserção, a evasiva.
    Um impacto iminente precede o grito íntimo de amparo aos céus.
    O negrume absorve a luz!

    O silêncio implacável espanta a inércia.
    Flashes caóticos revelam rostos e asas.
    Entre vultos e becas, flutuo livre!
    Livre. Eternamente livre!

    * os sons de bolinhas de gude 

    "A esperança brota eternamente no peito do homem. Ele nunca é, mas espera sempre ser feliz". Alexander Pope.

                                                            *Publicado primeiramente qui em 1 de Maio de 2015


13 comentários:

  1. Olá Victor, alegria por ler por aqui, espero que estejas bem. Que texto maravilhoso, vindo lá do fundo da alma que já percorreu muitos trilhos. A plataforma final sempre chega, cedo, tarde, tomara que na melhor hora!
    Abração, amigo!

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    1. Olá Dalva, é sempre um prazer contar com sua visita por aqui!
      Abraços,amiga!

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  2. Desde a partida passamos por inúmeras estações correndo quilômetros de trilhos nas mais diversas direções. Um dia do trem nos libertamos e flutuamos completamente livres, eternamente livres...
    Um abraço
    Élys.

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    Respostas
    1. Sim, Élys! E que esses trilhos nos levem sempre por belas e coloridas paisagens!
      Abraços!

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  3. Excelente texto, fiquei maravilhado. Parabéns pelo talento literário.
    Continuação de boa semana, caro amigo Victor.
    Abraço.

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  4. Que belo poema, Victor! Entre a partida e a chegada... muita água rola, e esse é o ponto mais importante de nossas vidas.
    Construção maravilhosa, amigo!
    Beijo, andou sumido? rs Um ótimo feriado - feriadão.

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  5. Hola Vitorio, encantada de saludarte y leerte. Preciosa entrada. Un abrazo.

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  6. olá, Vítor, meu querido...

    Tinha saudades suas... muitas.

    grata, mto grata por sua visita e votos deixados lá no blog. É bom sentir você por perto.

    Já li seu magnífico post, que não irei comentar agora, pke você merece tempo e mta entrega. voltarei, depois, com palavras à medida da sua classe e da sua sensibilidade.

    Um beijo afetuoso e um enorme abraço.

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  7. Boa noite Victor!
    Que alegria poder te ler novamente. Estava com saudades. Desejo que tudo esteja bem com você. Precisei fazer uma viagem urgente,e só retornei faz alguns dias, por isso a demora em passar por aqui. Um poema que me fez pensar em tantos atalhos, e desvios que as vezes precisamos fazer em nossa caminhada. As vezes nos perdemos dentro de nós mesmos, e a esperança é a única luz que nos guia....
    Uma boa semana!
    Um beijo!

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  8. Oi, Vítor, querido, eu de novo!

    Ler seu texto requer te conhecer, um pouco, pelo menos, e saber o que vai em seu peito, e não é pouco, afirmo. Há aqui desabafos, que você precisa fazer, e nada melhor k a escrita para poder abrir seu coração.

    recordações de infância e acontecimentos, que marcaram sua vida e a neblina ficou. É difícil desaparecer totalmente, pke por mto forte k nos mostremos, temos, por vezes, momentos de fragilidade e nosso trem parece que para pra sempre. É, apenas, impressão, pois a vida continua e nós, também.

    lendo seu post, mto atentamente, se nota, como tudo aconteceu, nesse dia, mas antes e depois a LIBERDADE foi, é e será sua aliada. E não esqueça que para além da física, há a mental, que é, sem dúvida, a mais importante.

    Vamos fazer de aves?

    Beijos e um apertado abraço.

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  9. Oi Victor,
    Também viajei nos trilhos da vida e muitas vezes via o Sol nascer, o gado pastando no campo. O vento ardia meu rosto de tanto frio. Outros tempos.
    Hoje me dói a saudade, pois só vejo minha cidade circundada de canaviais. Vivi por muitos anos numa selva de pedra( tout c'est la meme chose)
    Saudades de você, estou doente.
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  10. Olá, meu querido Victor!

    Já é bem tarde por aqui e eu estava pensando em você e no seu silêncio. O que se passa, amigo?
    Calar não adianta. Viajar, sim, talvez, nem que seja na imaginação e se, de novo, no seu consultório, com assistentes devotadas, experientes e competentes.

    Fico aguardando um oi seu, apenas, isso. Você promete?

    Beijos e um enorme e cúmplice abraço.

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Seu comentário é o que torna especial esta postagem. Enriquece extraordinariamente o conteúdo!
Lembrando Saint Éxupery:"Aqueles que passam por nós, não vão sós. Não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós".
Obrigado pela visita!
Abraços!

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