terça-feira, 27 de setembro de 2011

Heróis modestos.

     Estamos em pleno século XXI. 
    Vivemos assustados com o noticiário seja no rádio, TV, jornais ou Internet. Para quem gosta de má notícia, tem sempre um canal expondo as mais atualizadas atrocidades. Daí, o medo se torna assunto nos encontros de amigos, familiares... Para os pequenos, é aterrador. Esses têm que aprender logo cedo, que lá fora nas ruas é muito perigoso, um verdadeiro campo de batalha onde a sirene da polícia já não chama a atenção de ninguém. Um verdadeiro inferno. Até mesmo dentro das salas de aula não se sentem seguros.


    Dias atras recebi um Email de um amigo, que me relatou uma "ocorrência" em pleno dia, na chacrinha onde ele e sua esposa, ambos já passando dos 60 vivem há mais de 12 anos.





    Conta ele que viver como nos anos 50 nos dias de hoje, numa pequena propriedade cercada de bairros populares tornou-se uma aventura, mais pela ausência dos filhos que se casaram e só mesmo em alguns finais de semanas se reúnem para um churrasco, que pela insegurança crescente que assola nosso país.


    Asim é que com o passar dos anos, ele e sua esposa veem sua pequena propriedade envelhecendo tal como os dois. A casa está precisando de reformas. O pomar está desaparecendo no mato. O portão, alquebrado, balança ao sopro da ventania. Parece desmaiar mas mantem-se firme, unido nas suas duas metades por uma argola de arame. A sua fragilidade, só se nota de perto quando retira-se a argola e ele se abre automaticamente, mais pelo peso da idade que por sua aparente valentia.


    Até aqui não entendi a relevância do portão, da inquietude  do amigo!


Um velho portão, polêmico!
    Acontece que para entrar na chacrinha de propriedade desse  amigo, todos precisam passar pelo portão, que já sofreu vários "remendos" e  apesar da idade avançada se mantém firme, feio e coxo, mal lembrando seus proprietários! Entretanto esse portão segundo meu amigo, se tornou o foco das atenções de sua família, recentemente.


    Em pleno dia, se encontravam em casa ele, a cunhada, a sogra e sua esposa, quando de repente entra ela assustada! "Fechem portas e janelas", gritou ela em panico! Com os olhos  esbugalhados a sogra já passando dos 80, olhava pela fresta da janela tentando adivinhar o motivo do alvoroço. Calmamente meu amigo sacou seu celular e sem saber ao certo do que se tratava, chamou a polícia. "Um homem assustador está tentando quebrar o portão e entrar!", gritava a esposa. 


    O amigo tentou ver o tal homem mas a valente cadelinha "Peteca", mantinha o intruso debruçado sobre o velho portão. Conseguiu a muito custo ver que era um bêbado, sem camisa só de bermuda, que atrapalhado com a quantidade de portões que via com certeza balançando à sua frente, esbravejava contra seus fantasmas!


   


    Quando a polícia chegou o infeliz visitante já se achava infernizando o vizinho. 


    Relatou o amigo que naquele dia no jantar, reunidos filhos, netos, sogra, cada um a seu modo transformou o episódio numa "tragicomédia". As crianças com os olhos arregalados contavam que aquele homem, já há dias vinha rondando pela  vizinhança! A nora quase atropelou o pinguço! A valente sogra mandou a pontapés, o cachaceiro pros braços da policia!  Não sobrou elogios para a heroica cadelinha de pedigree duvidoso! 
Peteca, a heroína injustiçada!


    Legal mesmo foi a conclusão do amigo: "enfim os bêbados do centro da cidade, cansados de serem enxotados pelos comerciantes ou abandonados na periferia, perambulam cambaleantes ao sabor da ventania assustando idosos e crianças. Enfim o velho portão merece agora uma aposentadoria digna e certamente, será substituído por um novinho em folha. Finalmente  hoje em dia, não podemos contar somente com a bravura da Peteca, muito menos com a audácia da sogra, que mal amanheceu voltou para sua tranquila cidade, bem longe daqueles tumultos, deixando o casal a mercê dos vândalos embriagados da cidade".


    A quem me perguntar por que escrevi este post, responderei: "é que achei a história do amigo, interessante, criativa  e muito oportuna". 
Se a imagem lhe parece normal, você está bêbado.


    Se aconteceu de verdade não sei. Só sei que esse meu amigo é conhecido na cidadezinha dele, como "um homem muito sério" e amigos de confiança nos dias atuais são raros!


    Os pensamentos abaixo dedico à fiel Rebeca, mais "humana"que muitos humanos! 


    "Eu li a Odisseia porque foi a história de um homem que voltou para casa depois de estar ausente por mais de 20 anos e foi reconhecido apenas por seu cão". Guilherme C. Infante.


    "O próprio homem não pode expressar o amor e humildade por sinais externos, tão claramente como um cachorro, quando ele encontra seu amado mestre". Charles Darwin.
    

2 comentários:

  1. É real! por muito pouco, ou mesmo um susto, fazemos um grande alvoroço. Os cães é que dão o alarme, e nós ficamos alarmados, sempre, sem saber por que!

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  2. Isso mesmo, Claudia!
    Nos dias atuais,nos assustamos com nossa própria sombra!
    Obrigado pelo comentário!

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