domingo, 21 de outubro de 2012

A Terra de todos nós!




    Quem de nós, certamente, num momento de  introspecção, diante das noticias de conflitos entre muitos povos na terra - diferenças religiosas, raciais, culturais, além da destruição de ecossistemas...-  já não sentiu profundamente, uma imensa  vontade de gritar: "parem;  o que pensam que estão fazendo?"  





     Olhando a Terra de longe, não vemos limites, fronteiras... Felix Baumgartner - primeiro homem a quebrar a barreira do som sem o uso de máquinas, disse: "quando nos afastamos da terra, é que  vemos o quanto somos pequenos".


    
     Lembremo-nos da carta que o Cacique Seattle escreveu por volta de 1852 ao governo dos Estados Unidos,  que fez um inquérito sobre a aquisição de terras tribais para os imigrantes que chegavam ao país:



    "O Presidente, em Washington, informa que deseja comprar nossa terra. Mas como é possível comprar ou vender o céu, ou a terra?  A ideia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar e a vivacidade da água, como vocês poderão comprá-los?

     Cada parte desta terra é sagrada para meu povo. Cada arbusto brilhante do pinheiro, cada porção de praia, cada bruma na floresta escura, cada campina, cada inseto que zune. Todos são sagrados na memória e na experiência do meu povo.


     Conhecemos a ceiva que  circula nas árvores, como conhecemos o sangue que circula em nossas veias. Somos parte da terra, e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o gamo e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus das campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, pertencem todos à mesma família. 


    A água brilhante que se move nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se lhes vendermos nossa terra, vocês deverão lembrar-se de que ela é sagrada. Cada reflexo espectral nas águas claras dos lagos fala de eventos e memórias na vida do meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.

    Os rios são nossos irmãos. Eles saciam nossa sede, conduzem nossas  canoas e alimentam nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se dedicaria a um irmão

    Se lhes vendermos nossa terra, lembrem-se de que o ar é precioso para nós, o ar partilha seu espírito com toda a vida que ampara. O vento, que deu ao nosso avô seu primeiro alento, também recebe seu último suspiro. O vento também dá às nossas crianças o espírito da vida. Assim, se lhes vendermos nossa terra, vocês deverão mantê-la à parte e sagrada, como um lugar onde o homem possa ir apreciar o vento, adocicado pelas flores da campina. 


     Ensinarão vocês às suas crianças o que ensinamos às nossas? Que a terra é nossa mãe? O que acontece à terra acontece a todos os filhos da terra. O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo. 


    Uma coisa nós sabemos:  nosso deus é também o seu deus. A terra é preciosa para ele e magoá-la é acumular contrariedades sobre o seu criador.





     O destino de vocês é um mistério para nós. O que acontecerá quando os búfalos forem todos sacrificados? Os cavalos selvagens, todos domados? O que acontecerá quando os cantos secretos da floresta forem ocupados pelo odor de muitos homens e a vista dos montes floridos for bloqueada pelos fios que falam? Onde estarão as matas? Sumiram! Onde estará a águia? Desapareceu! E o que será dizer adeus ao pônei arisco e à caça? Será o fim da vida e o início da sobrevivência.

    Quando o último pele-vermelha desaparecer, junto com sua vastidão selvagem, e a sua memória for apenas a sombra de uma nuvem se movendo sobre a planície... estas praias e estas florestas ainda estarão aí? Alguma coisa do espírito do meu povo ainda restará?


    Amamos esta terra como o recém-nascido ama as batidas do coração da mãe. Assim, se lhes vendermos nossa terra, amem-na como a temos amado. Cuidem dela como temos cuidado. Gravem em suas mentes a memória da terra tal como estiver quando a receberem. Preservem a terra para todas as crianças e amem-na, como Deus nos ama a todos. 


    Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra. Esta terra é preciosa para nós, também é preciosa para vocês. Uma coisa sabemos: existe apenas um Deus. Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver à parte. Afinal, somos irmãos."

    
    "O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos. E todos somos mortais". John Kennedy.


2 comentários:

  1. Esse texto é lindo e não tem como não se comover com toda a questão da liberdade entre os povos e tentar entender o por quê da ganância.
    Não sei se viu na minha timeline do Facebook um vídeo que postei ontem. A mensagem da música é para pensar. Depois vê - Banda Cultivo.
    Boa semana!! Beijus,

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  2. Acabei de assistir ao vídeo, Luma . Muito bom! Melhor ainda é ver uma banda de jovens,engajados num problema universal - o homem e suas atitudes no planeta! E de um modo bem alegre! Desejo sucesso à Banda CULTIVO e seu reggae! Boa semana! bjs.

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