domingo, 23 de março de 2014

Foi Por Um Triz!


      É verdadeiro o conceito de que, ao nascermos, acionamos o "start" da contagem regressiva para a morte.  Eclodimos equipados,  gratuitamente, de  um acessório muito especial, o livre arbítrio,  que nos permite escolher como queremos viver e como desejamos morrer, menos, saber com antecedência o dia do nosso perecimento!  Optar, entre o "ponto de partida" e o "final da trajetória", de aniversário em aniversário - expostos aos constantes  perigos  - por uma vida: insossa , emocionante, interessante, marcante, agitada -  mal ou bem vivida...



    Entramos na vida, como quem penetra numa densa floresta desconhecida, afastando espinhos, cortando galhos, seguindo sempre e frente, adicionando ao nosso crescimento: preparo físico, intelectual, espiritual e cognitivo!  Sabemos entretanto, que muitos indivíduos, sequer conseguem embrenhar-se naquela floresta!

     
    Onde eu nasci -  segundo filho de um total de sete - sob a rusticidade do  campo,  vim ao mundo de  um parto sem a presença da parteira!  A vida naquele momento, me apresentara sua primeira exigência a ser vencida!  Para quem chegara ao mundo com a  determinação de obter um passaporte ilimitado, o primeiro perigo foi facilmente batido com a a ajuda da minha heroica mãe, que acolhera em seus braços uma criatura vitoriosa, que se isso não sou, me considero como tal!

    Aos três anos de idade, um susto! Com um ferimento profundo no abdômen,  provocado pela chifrada de um boi que arremessou-me à distância, quando dele me aproximei enquanto meu pai distraidamente cuidava do carro de bois, escapei por pouco!

    Aos seis anos de idade, uma Infecção Renal Aguda - nos dias atuais, facilmente vencida - em 1950, fora derrotada graças à penicilina ainda utilizada com cautela, pois muitos doentes morriam em consequência de choque anafilático.  Lembro-me do saudoso Dr José Luiz Cembranelli -  após  aplicar-me uma penicilina - falar baixinho ao meu pai: "Vamos esperar o efeito do medicamento e torcer pelo menino"!

    Com nove  anos, enquanto corria de costas empinando uma pipa no terreiro em frente da nossa casa, caí e bati com a cabeça nas ferragens de um moinho de cana por tração animal - desmontado.  Desmaiei! Depois de um longo tempo, acordei nos braços da minha mãe! 

   Muitos outros perigos: queda de árvores; de cavalos; de bicicletas - facilmente superados na vida de qualquer criança - ainda tive:  catapora, sarampo, varicela, coqueluche... "driblei" a poliomelite...Naquele tempo não haviam as vacinas à nossa disposição!

    De todos os riscos vencidos- incluindo o acidente que sofri no ano de 2000, do qual saí com  severas sequelas (tetraparestesia espástica) - recentemente, passei por um grande perigo de morte, considerando as minhas atuais defesas imunológicas.




    No dia 28 de Abril deste ano - Sábado -, estive na Praia Vermelha do Norte em Ubatuba, cidade para onde viajo com frequência acompanhando os surfistas da família.  Retornei à minha cidade no dia seguinte.  Acredito que foi naquela praia que eu fui picado na perna direita,  por algum inseto!  Na noite do dia 7  de Maio, minha perna e o pé, estavam inchados e doendo muito!  Meu filho Fabio - Cirurgião Dentista e  aluno de Medicina - ao examinar-me notou um pequeno ponto muito avermelhado no lado externo da perna, na altura do tornozelo. Seu diagnóstico foi de Erisipela.   Imediatamente medicou-me com um anticoagulante e um antibiótico de largo espectro.  No dia seguinte, logo cedo, levou-me ao Hospital Vera Cruz de Campinas onde o diagnóstico foi confirmado por um dos  médicos de plantão.  Voltei medicado e com muitas recomendações: manter elevação do pé, aplicações permanentes de gelo e se o inchaço não cedesse após três dias, retornasse para imediata internação.  Tudo  foi seguido à risca!  A doença parecia sob controle, quando no dia 16 (Domingo à noite), após passar o dia sentindo ora frio, ora calor, ambos intensos, ao medir minha pressão e examinar meu corpo (parecia alergia espalhada por diversas partes) meu filho mais uma vez, acertou.  Uma septicemia estava em andamento.  Eu estava perdendo a luta contra a bactéria! Ao amanhecer do dia seguinte, meu outro filho - Hugo -, levou-me de volta ao hospital, onde fui  atendido no pronto socorro e rapidamente medicado. Minha pressão estava em queda!  Notei uma intensiva agitação entre os médicos e enfermeiros (coleta de sangue, imediata medicação intravenosa, monitoramento constante...).



    Ao anoitecer, já com todas as funções plenamente estáveis, um médico infectologista entrou em meu quarto e com muito bom  humor, relatou-me detalhadamente como fora meu dia e a preocupação deles, quando dei entrada no pronto socorro com a minha pressão arterial máxima em 8!  Segundo ele, mais algumas horas sem atendimento médico e a bactéria teria vencido!

    Foi por um triz!

    Naquela mesma noite, assisti à uma entrevista no programa Roda Viva da TV Cultura, onde o Presidente da AMB (Associação Médica Brasileira) falava da situação da Saúde e dos médicos no Brasil. Sugiro que assistam a  este último bloco e outros, no YouTube.


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      Não deixem de ler este artigo.
      Me foi dado alta após mais dois dias de internação.  O tratamento com medicamentos via oral já poderia ser em regime  domiciliar.  Retornei ao hospital após nove  dias, para avaliação. "Agora sim, tudo bem!" disse o médico."

    "Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto expor-se ao perigo.  A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada", Hellen Keller.

6 comentários:

  1. Numa hora como essa é que a gente sente o quanto uma pessoa é importante em nossa vida! Que susto nos "pregou", meu cunhado, meu irmão!

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  2. Pois é cunhada! Parece que o velho ditado: "vaso ruim não quebra", é real, mas "trinca", e quando isso acontece é difícil viver trincado! Abraços!

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  3. Nome mais apropriado não poderia ter...O Sr. é um VITORIOSO!! Bjs, fique bem!!

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  4. Obrigado, Janaína! Meu nome não foi escolhido por isso, mas, aceito seu voto! Beijos.

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  5. Oi, Vitorio!
    Não podia imaginar que tivesse tido algo tão sério! Da próxima vez que for à praia, use repelente!
    Mais uma batalha vencida!!
    Cuide-se!!
    Beijus,

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  6. Obrigado, Luma, pela dica, mas às vezes somos picados até dentro do cinema em shoppings! Estamos sempre em risco! Bjs!

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Seu comentário é o que torna especial esta postagem. Enriquece extraordinariamente o conteúdo!
Lembrando Saint Éxupery:"Aqueles que passam por nós, não vão sós. Não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós".
Obrigado pela visita!
Abraços!

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