Já perceberam como tem nutricionistas em nosso país?
Diariamente, em quase todos o canais de televisão, uma especialista da nutrição, esclarece o público com as mais variadas sugestões, sobre o que devemos ou não consumir.
Graças a essas insistentes aparições, somos obrigados a aprender uma nova "linguagem nutrimental"- novos vocábulos- como: licopeno, ômega3, flavonoides,gordura trans, ácido fólico, proteínas, carboidratos e muitos outros...
Como diz um velho ditado: "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", resolvi consultar uma nutricionista. Preciso saber se estou com falta de alguns nutrientes; se não estou desnutrido, ingerindo poucas fibras, ou seja: carente de uma alimentação balanceada, indicada à minha idade!
Será que nossos avós e nossos pais - que viveram saudáveis até os 90 anos - alimentavam-se corretamente?
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Vejamos: Eu e meus seis irmãos fomos criados num belo sítio de sete alqueires. Lá eram produzidos quase todos os nutrientes disponíveis para nosso sadio desenvolvimento: leite ao pé da vaca, gordura de porco, todas as verduras e legumes, açúcar de rapadura, pães caseiros, arroz, feijão, café, milho, mandioca e derivados... Abacaxi, goiaba, abacate, banana e jataí. Sem contar as que trocávamos com nossos vizinhos: fruta do conde, mexerica, manga, jabuticaba, mamão, figo, amora... Aves e ovos em abundância! Todos os alimentos eram cozidos em panelas de ferro, sobre um fogão a lenha!
Jamais se utilizava de adubos ou agrotóxicos na produção de: arroz, café, cana de açúcar, feijão... Nas hortaliças, só esterco bovino!
O arroz e o café eram descascados no pilão, onde o milho era transformado em "quirera", para alimentar as aves jovens!
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Plantação de arroz. |
Quando nossa mãe torrava o café, o cheiro delicioso se espalhava! Sabíamos de longe, quando o pão estava assado, ou o bolo saía do forno!
Hoje, fecho os olhos e com saudade relembro o chão da cozinha - de piso "vermelhão" da cor do fogão - e acima dele, os varais de: linguiça, pernil e costelas de porco a defumar! Outros pedaços de carne eram previamente cozidos e conservados na gordura dentro de latas bem fechadas. O feijão, frequentemente, era enriquecido com pedaços de abóbora, torresmos...
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O leite produzido por duas vacas era suficiente ao consumo diário e ainda sobrava para fazer: queijo, manteiga e coalhada!
Para gerar todos esses alimentos para a família, cuidar com carinho da terra e dos animais, incrivelmente, contávamos somente com meu pai e minha mãe! Na época da colheita do arroz e café, os vizinhos ajudavam-se mutuamente. Pequenas tarefas eram confiadas aos filhos desde cedo!
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Horta orgânica - hábito antigo! |
A imagem que trago na memória, é de pessoas coradas, alegres, festivas,
diferente da palidez das nutricionistas televisivas, que sem o menor conhecimento de como são produzidas as hortaliças, legumes e frutas, tentam nos ensinar o que há muito tempo já sabíamos!
As imagens publicadas nesta postagem foram obtidas Aqui.
"Não vivemos para comer, mas comemos para viver". Sócrates.
"Trabalhou para viver; depois, para viver, porque o coração necessita de alimento, amou". Victor Hugo.
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