Quando se tem sessenta e quatro anos, às vezes, somos obrigados a voltar no tempo, para tentar explicar aos mais jovens, como foram os anos de nossa juventude!
Não entendo muito de política, nem de economia.
Meu fisioterapeuta Matheus, jovem de menos de 30 anos, me fez uma pergunta. "-Como estaria o Brasil hoje, se os militares não tivessem tomado o poder em 1964"?
Voltei no passado para tentar responder sob o meu ponto de vista:
No dia 31 de março de 1964, eu era recruta no honroso 6o Regimento de Infantaria -
Regimento Ipiranga, em Caçapava-SP.
Como aluno do Curso de Cabos, e com a falta de profissionais na tropa, substituíamos, para efeito de composição nas vagas de Terceiros Sargentos - Comandantes de Grupos de Infantaria.
Assim, na manhã do dia 31 de Março de 1964, nas funções de Comandante do Primeiro Grupo, do Primeiro Pelotão, da Primeira Companhia de Fuzileiros do 6o RI, fui o primeiro a embarcar equipado para um combate, que felizmente não aconteceu.
Ao retornarmos dos limites dos estados de São Paulo com o Rio de Janeiro, na cidade de Queluz, não imaginávamos o
quão perto havíamos chegado de um confronto com nossos irmãos brasileiros do Rio. Permanecemos quase seis meses aquartelados, de prontidão!
O que se seguiu após esse episodio,
dá arrepio em lembrar; ao imaginar
como seria o Brasil hoje.
Montávamos guarda numa fazenda nos arredores de Taubaté, onde centenas de caminhões, tratores e viaturas do tipo C14, todos nas cores verde e amarelo, trazendo um logo no qual se lia
SUPRA (Superintendência de Política Agrária) uma foice e um martelo em vermelho, circundados por ramos de trigo.
Assim, respondendo à pergunta formulada pelo amigo Matheus: "Não sei como estaríamos hoje, sem o Etanol, sem Itaipu, sem a Ponte Rio-Niterói, sem as modernas rodovias de São Paulo...Creio que seríamos no máximo, uma enorme Bolívia"!
"Um comunista é como um crocodilo: quando ele abre a boca, você não sabe se está sorrindo ou preparando-se para devorar você". Winston Churchill.